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23
Mai
08

Synecdoche, New York

Demorei para postar a impressão que tive do primeiro filme de Charlie Kaufman como diretor porque decidi assisti-lo na sessão oficial, de gala, à noite. Seria uma boa oportunidade de conhecer a reação do público e não só dos jornalistas. O filme foi aplaudido protocolarmente, ou seja, sem grande entusiasmo.

Dá para entender. Eu mesma estava bem ansiosa para assistir a Synecdoche, New York, porque sou fã do Charlie Kaufman roteirista. Gosto de Quero Ser John Malkovich, Adaptação e, principalmente, de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Mas me decepcionei com essa estréia.

É inegável que ele continua um roteirista criativo. Philip Seymour Hoffman interpreta brilhantemente o dramaturgo Caden Coutard. Ele começa a sofrer com diversos problemas de saúde, como pupilas irregulares e sangramentos de gengiva. Sua mulher, artista plástica, vai para Berlim, levando a filha pequena do casal. Logo depois, ele ganha uma bolsa para fazer uma grande obra artística e bola uma peça de teatro em que os atores interpretam a si mesmos.

Pena é que Kaufman não seja tão bom diretor quanto é bom roteirista. As cenas têm tempos incorretos, que prejudicam a dramaturgia bem construída. Por natureza, os roteiros dele são não-lineares, como são os pensamentos. Mas sua inexperiência como diretor deixa o filme desalinhavado, sem força, apesar de Synecdoche, New York ser muito mais dramático do que os roteiros de Charlie Kaufman filmados anteriormente. Na coletiva, ele declarou não assistir a muitos filmes. Deveria repensar sobre isso.

Synecdoche, New York 

23
Mai
08

A escolha de Sofia

Cannes é uma eterna escolha de Sofia.

Ontem, por exemplo: se eu quisesse assistir Adoration, filme de Atom Egoyan na competição, precisaria perder a coletiva de Che. No sábado passado, não vi 24 City, de Jia Zhangke, porque era no mesmo horário da coletiva de Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. 

Tentei assistir Adoration hoje. Mas, depois de 40 minutos na fila, avisaram que não havia mais lugares. Estava tudo tomado pelas pessoas do mercado – Cannes é o maior mercado de filmes do mundo. Vou tentar ver na repescagem, no domingo.

 

 

22
Mai
08

Fidel, Raul e Che em Cannes

Mesmo que a mesa fosse gigante, cheia de atores de Che, o brasileiro Rodrigo Santoro pôde responder a algumas perguntas. “Como ator, eu interpreto um ser humano. Raul Castro não era presidente ainda, então minha preocupação era saber quem era esse jovem que fez essa revolução”, disse, na coletiva do filme. 

Demián Bichir (Fidel Castro) afirmou que não entendeu a razão de ser escolhido para o papel. Até se observar mais atentamente no espelho do banheiro, de barba.

Benicio del Toro disse ter tido dificuldade de atuar em sua língua materna, o espanhol, porque saiu de Porto Rico aos 13 anos, e Che era um intelectual, que sabia muito bem o idioma.

A coletiva foi bem animada, apesar de o filme ter dividido opiniões. “Não queria um filme cheio de momentos cinematográficos”, explicou Steven Soderbergh.

CheChe 

22
Mai
08

Tarantino

Nossa, como o homem fala! Quentin Tarantino foi o diretor escolhido para dar sua masterclass no Festival de Cannes. No ano passado, ele ficou babando na aula de Martin Scorsese, um de seus ídolos. Se bem que ele admitiu que seu rock star era Brian de Palma. A seqüência inicial de Cães de Aluguel tem a ver com isso.

Neste ano, foi ele a lotar a sala Debussy.

Ele é engraçado e fala muito e rápido como uma metralhadora. Cativou o público instantaneamente. 

Recomendou aos aspirantes a diretor que freqüentem escolas de atuação, porque ele aprendeu muito sobre câmera e iluminação nesse tipo de curso.

Disse que não gosta de trilha original porque não confia nos compositores, acha que seria responsabilidade demais para eles. 

Quentin Tarantino

 

 

22
Mai
08

Il Divo

Tirando o filme de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, Il Divo é o filme mais engraçado do festival. Só com humor e farsa para contar a história de um político de quem todos suspeitam, Giulio Andreotti.

O diretor Paolo Sorrentino recupera este personagem controverso da Itália, que foi várias vezes presidente e chegou a ser julgado por suas relações com a máfia.

No filme, bem pop, quase um Quentin Tarantino baseado na realidade, ele surge cheio de manias, como a retirada de qualquer recinto de costas, sair apagando as luzes e caminhadas noturnas pela cidade. Andreotti aparece cada vez mais bufo e também cada vez mais maquiavélico, mas sem que o ator Toni Servillo mova um músculo do rosto. Anda quase como o Nosferatu do antigo filme de Murnau.

A frase que abre o filme é genial: “Se você não tem nada de bom para falar de uma pessoa, não diga nada”. Foi dita pela própria mãe de Andreotti. Para uma mama italiana chegar a esse ponto, é porque coisa boa Andreotti não podia ser. 

 

22
Mai
08

Che

Quatro horas e meia: é esse o tamanho da saga Che, de Steven Soderbergh. O filme traz Benicio del Toro no papel do revolucionário argentino, Demián Bichir como Fidel Castro e Rodrigo Santoro como Raul Castro.

A duração não é o problema do longa-metragem. Dividido em duas partes – a primeira conta o começo da revolução até a ida a Havana e a segunda é sobre Che na Bolívia -, o filme peca por apresentar os fatos quase sem emoção. É tudo o que Che Guevara não era. Para um homem tão cheio de paixão, que deixou o certo (um cargo no novo governo cubano) para levar a revolução a outros países subdesenvolvidos, ele aparece bem burocrático.

Che

22
Mai
08

Matheus Nachtergaele

A Festa da Menina MortaFoi com bastante emoção que o ator Matheus Nachtergaele apresentou, em francês, seu primeiro longa-metragem como diretor, A Festa da Menina Morta. O palco da sala Debussy ficou pequeno para tantos brasileiros da equipe que vieram prestigiar a exibição.

O filme é bastante ousado e vigoroso para um diretor de primeira viagem. Daniel de Oliveira interpreta o temperamental Santinho, um rapaz que benze as pessoas e recebe as palavras da Menina Morta, uma criança que é adorada no pequeno vilarejo amazônico. 

Se o longa tem alguns problemas – como alguns excessos, inclusive na direção de atores -, também é um passo promissor desse que é um dos maiores atores brasileiros. O filme concorre ao prêmio da mostra Un Certain Regard e ao Caméra d’Or, para diretores estreantes.

 

21
Mai
08

Balanço

Até agora, os favoritos do Festival são: o turco Três Macacos, de Nuri Bilge Ceylan, sobre uma família cheia de mágoas e segredos, muito bem filmado; o americano The Exchange, de Clint Eastwood, em que Angelina Jolie interpreta uma mãe solteira lutando contra a burocracia e a corrupção policial para encontrar seu filho desaparecido; Waltz with Bashir, do israelense Ari Folman, mistura de documentário e animação que pode agradar ao politizado presidente do júri, Sean Penn; Conto de Natal, do francês Arnaud Desplechin, sobre uma família daquelas bem doidas; O Silêncio de Lorna, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, vencedores de duas Palmas de Ouro; 24 City, de Jia Zhang-Ke, um dos cineastas mais interessantes da atualidade; e o brasileiro Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. Gomorra, de Matteo Garrone, espécie de Cidade de Deus da máfia, também pode agradar ao júri.

E ainda faltam: Che, de Steven Soderbergh, La Frontière de L’aube, de Philippe Garrel, Adoration, de Atom Egoyan, Synecdoche, New York, de Charlie Kaufman, Il Divo, de Paolo Sorrentino, My Magic, de Eric Khoo, The Palermo Shooting, de Wim Wenders, e Entre les Murs, de Laurent Cantet. 

Enquanto isso, Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, está entre os mais odiados, pelo menos entre a crítica, perdendo apenas para Serbis, de Brillante Mendoza. 

 

21
Mai
08

Novo favorito e vaias para a argentina

O filme de Clint Eastwood, The Exchange, já entrou na lista de favoritos. Foi aplaudidíssimo na sessão de imprensa (logo no início dos créditos e também ao final). Ele já concorreu outras quatro vezes à Palma de Ouro, mas nunca ganhou. Será que Sean Penn, que trabalhou em Sobre Meninos e Lobos e agora é o presidente do júri, vai dar essa forcinha ao veterano e amado ator?

Na mesma noite, o filme da argentina Lucrecia Martel, A Mulher sem Cabeça, foi vaiado na sessão de imprensa. É um filme difícil, do qual se sai sem saber muito o que acabou de acontecer. Mas, como sempre, ela trata como ninguém a separação entre classe média e os pobres. A personagem principal vive num estado de suspensão, quase como se fosse um fantasma. E Lucrecia sabe filmar isso de forma bem interessante. 

 

21
Mai
08

Mais Angelina

Ouvido de um fotógrafo na sala de wi-fi: “Vim a esse festival só para cobrir a Angelina. É o que parece”. 

A atriz apareceu mais uma vez no tapete vermelho ontem à noite, para a exibição oficial de The Exchange (ex-Changeling), ao lado de Brad Pitt e do diretor Clint Eastwood.

Gravidíssima, ela monopolizou as atenções do festival até agora. Tem gente que já está enjoada…

 




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