25
Mai
08

Waltz with Bashir

Só consegui ver este filme hoje, na repescagem. Valeu muito a pena.

É uma espécie de documentário em forma de animação. O diretor israelense Ari Folman fez uma procura bastante pessoal sobre a guerra no Líbano nos anos 80. Ele entrevistou antigos companheiros, outros soldados e jornalistas, dando uma idéia do que passa na cabeça de um combatente numa guerra. Sua intenção era recuperar essas memórias, que havia perdido. É traumático o papel passivo dos seus soldados israelenses – inclusive o diretor – no massacre de mais de mil civis palestinos nos campos de Sabra e Shatila por soldados libaneses falangistas, apoiados por Israel (oficialmente, essa é a versão; há quem diga que o massacre foi comandado pelos israelenses).

Ainda assim, o filme não se exime de comparar aquilo que foi feito aos civis palestinos com o que foi feito com os judeus nos guetos e campos de concentração na Europa, na década de 40. Muitas falas e cenas remetem diretamente a essas memórias, como a criança com as mãos para o alto, saindo do gueto de Varsóvia, ou a família de frente para a parede, sendo fuzilada.

O diretor rodou as entrevistas em vídeo e depois fez a animação, usando técnicas digitais e tradicionais. 

O filme surgiu como um dos favoritos aqui em Cannes, algo que poderá ser confirmado logo mais. É impressionante, apesar de ficar em cima do muro ao tratar a questão da responsabilidade de Israel no massacre (segundo o diretor, porque interessava suas próprias memórias…) e de apelar aqui e ali para o sentimentalismo. 

Waltz with Bashir

 


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