25
Mai
08

Prêmios de Un Certain Regard

A mostra paralela do Festival de Cannes anunciou seus premiados na noite de ontem. O presidente do júri, Fatih Akin (diretor de Contra a Parede), falou sobre sua experiência. “Foi minha primeira vez como presidente do júri e senti muita responsabilidade”, disse. Porque os filmes eram “muito bons”, ele contou que o júri pediu autorização para dar cinco prêmios, em vez de três. Nem Matheus Nachtergaele e seu A Festa da Menina Morta, nem Antonio Campos, filho de brasileiros, e seu Afterschool, foram premiados.

A cerimônia foi bem simpática, com o diretor artístico do festival, Thierry Fremaux, servindo de tradutor para o inglês de Akin. 

O primeiro prêmio foi o Esperança (os nomes são inventados pelos jurados), para Johnny Mad Dog, de Jean-Stéphane Sauvaire, sobre as crianças durante a guerra na Libéria. O prêmio Nocaute foi para Tyson, de James Toback. “Telefonei para Mike Tyson e ele achou que eu estava mentindo”, disse o diretor. O prêmio do Coração foi para Wolke 9, de Andreas Dresen. O prêmio do júri foi para Tokyo Sonata, de Kiyoshi Kurosawa. 

O prêmio Un Certain Regard, o mais importante, foi para Tulpan, de Sergey Dvortsevoy, do Cazaquistão. 

O longa-metragem foi exibido logo após o anúncio. E, para mim, foi o melhor filme dos que eu consegui ver aqui no festival. 

A história é simples: uma família de nômades composta pelo pai, pela mãe e por três crianças sofre com uma doença que mata todos os filhotes de seu rebanho de ovelhas e carneiros. Sem os filhotes, eles não podem se mudar para outra região. Enquanto isso, o irmão da matriarca, vindo da cidade, vive com eles, ao mesmo tempo em que procura uma noiva para poder se estabelecer como fazendeiro.

A luta, aqui, é pelas coisas mais básicas: água, comida, eletricidade. Coisas que até os mais pobres no Brasil costumam ter acesso. E, no entanto, o diretor conta tudo como uma grande aventura, sem colocar seus personagens como coitadinhos. E vários momentos são cômicos, como a relação dos filhos entre si – tem um pequenininho que, numa cidade ocidental, seria diagnosticado como hiperativo -, e uma mãe camelo que está perseguindo o veterinário que leva o filhote para ser tratado. São momentos quase surreais. Não devem ter sido fáceis as filmagens de um longa que tem um monte de animais (camelos, burros, ovelhas) e três crianças, no meio da estepe cazaque.

Este, Borat não deveria perder!

Tulpan

 


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