Faltam pouco mais de 24 horas para serem anunciados os premiados da competição do Festival de Cannes. E a dúvida permanece.
O comentário mais comum aqui é que não existe nenhum grande favorito, que a competição foi muito equilibrada. Se nenhum filme se destacou muito em relação aos demais, também é verdade que quase nenhum foi odiado por todos. Em consequência, a impressão é mesmo a de um festival morno.
Hoje pela manhã, Entre les Murs, de Laurent Cantet, foi exibido para a imprensa e imediatamente foi à lista de favoritos – isso se não se tornou “o” favorito. Ele é considerado uma escolha sem grandes polêmicas, caso o júri esteja muito dividido.
Entre seus concorrentes mais diretos estão Três Macacos, do turco Nuri Bilge Ceylan, The Exchange, de Clint Eastwood, Le Silence de Lorna, de Jean-Luc e Pierre Dardenne (vencedores de outras duas Palmas de Ouro), e Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. Muito se fala numa suposta propensão do júri de premiar filmes de acordo com seu engajamento político, e aí os favoritos são Waltz with Bashir, de Ari Folman, espécie de documentário em forma de animação sobre o conflito no Líbano, Che, de Steven Soderbergh, que pretendia, em 4 horas e meia, dar conta da ascensão e queda do revolucionário argentino, ou até o italiano Gomorra, sobre a máfia.
O jornal Le Monde publicou hoje uma entrevista com o presidente do júri, Sean Penn. “A melhor forma de sermos honestos é tentar nos distanciar da pressão da moda e tentar encontrar algo que vai ficar para sempre”, afirmou. “Precisamos fazer o oposto do que a Academia que dá os Oscars faz, onde a manipulação e o marketing são premiados.”
Sean Penn é conhecido por seu engajamento político, mas não afirmou que isso seja determinante para a vitória de algum dos filmes. “Você ficaria surpreso ao saber que tipo de temas políticos são levantados por cada um dos membros do júri relacionados a filmes ou a elementos de filmes que na superfície não parecem contê-los”, disse. A verdade é que vários filmes que não parecem políticos contêm mesmo temas políticos, inclusive o brasileiro Linha de Passe.
O júri é composto pela atriz Natalie Portman, o ator e diretor italiano Sergio Castellitto, o diretor mexicano Alfonso Cuarón, o diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul, a atriz alemã Alexandra Maria Lara, os diretores franceses Rachid Bouchareb e Marjane Satrapi e a atriz francesa Jeanne Balibar.
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