Demorei para postar a impressão que tive do primeiro filme de Charlie Kaufman como diretor porque decidi assisti-lo na sessão oficial, de gala, à noite. Seria uma boa oportunidade de conhecer a reação do público e não só dos jornalistas. O filme foi aplaudido protocolarmente, ou seja, sem grande entusiasmo.
Dá para entender. Eu mesma estava bem ansiosa para assistir a Synecdoche, New York, porque sou fã do Charlie Kaufman roteirista. Gosto de Quero Ser John Malkovich, Adaptação e, principalmente, de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Mas me decepcionei com essa estréia.
É inegável que ele continua um roteirista criativo. Philip Seymour Hoffman interpreta brilhantemente o dramaturgo Caden Coutard. Ele começa a sofrer com diversos problemas de saúde, como pupilas irregulares e sangramentos de gengiva. Sua mulher, artista plástica, vai para Berlim, levando a filha pequena do casal. Logo depois, ele ganha uma bolsa para fazer uma grande obra artística e bola uma peça de teatro em que os atores interpretam a si mesmos.
Pena é que Kaufman não seja tão bom diretor quanto é bom roteirista. As cenas têm tempos incorretos, que prejudicam a dramaturgia bem construída. Por natureza, os roteiros dele são não-lineares, como são os pensamentos. Mas sua inexperiência como diretor deixa o filme desalinhavado, sem força, apesar de Synecdoche, New York ser muito mais dramático do que os roteiros de Charlie Kaufman filmados anteriormente. Na coletiva, ele declarou não assistir a muitos filmes. Deveria repensar sobre isso.

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