Este entrou na última hora. Não costuma ser bom sinal. O filme de James Gray não é ruim, longe disso, mas faz a gente pensar: o que este filme está fazendo na competição de Cannes?
Talvez tenha sido só para aumentar o glamour do tapete vermelho: na mesma hora, passava no Grand Théâtre Lumière, a sala principal do Palais du Festival, a atriz Gwyneth Paltrow, acompanhada pelo estilista Valentino.
Joaquin Phoenix interpreta Leonard, um rapaz com certos problemas psicológicos, que já tentou se matar algumas vezes. Ele ainda sofre porque a noiva rompeu o relacionamento ao descobrir que ambos tinham propensão a uma doença genética grave, que poderia afetar a prole. Com uma ajudinha dos pais, ele conhece a compreensiva Sandra (Vinessa Shaw), que está disposta a um cuidar dele. Mas Leonard cai de amores pela vizinha, a instável Michelle (Gwyneth Paltrow), apaixonada por um homem casado.
É um pouco aquela história da ciranda de amores de que tratou Carlos Drummond de Andrade na poesia. Todos os personagens procuram o amor, mas nem sempre ele está onde se quer. E muitas vezes os personagens acham que só o seu amor basta, sem ser necessário que o outro sinta o mesmo.
O filme é elegante, com algumas belas cenas, mas realmente não se justifica sua seleção para a competição de Cannes.
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