Arquivo para Maio 20th, 2008

20
Mai
08

maradona

Diego MaradonaFazendo embaixadinhas e subindo na mesa, Maradona participou da sessão de fotos pelo filme Maradona by Kusturica, exibido fora da competição aqui em Cannes. A coletiva de imprensa foi bem disputada. E o jogador argentino manteve aquela sua empáfia misturada com um jeito engraçado.

De novo, deu polêmica com Pelé, que declarou recentemente que os títulos de Maradona deveriam ser retirados, por causa do doping. “Prometi a minhas filhas que não falaria mais sobre o Pelé, mas é mais forte do que eu. Se eu não tivesse feito tudo o que fiz, Pelé não chegaria nem em segundo”.

Ele também pediu aos torcedores do Barcelona que deixem Ronaldinho Gaúcho em paz, porque ele é ótima pessoa e jogador. E que o que está acontecendo com ele já aconteceu com outros jogadores: Ronaldo, Romário, Figo. “Se ele for para outro time, vai meter gol em vocês!”

Mais frases: “Não me sinto Deus de jeito nenhum. Mas, se as pessoas querem me ver assim, não posso fazer nada”.

“O que eu daria de presente para a Argentina? Um novo presidente? Brincadeira. Daria emprego.”

“A parte política nasceu em mim. Quando falava de política, minha família me escutava. O problema é que existe essa noção de que um jogador de futebol não pode falar de um assassino (referindo-se a Bush). Fizemos este filme não para resolver as coisas. Queremos dizer que eu também posso falar o que penso. Estamos condicionados aos Estados Unidos e não é assim, todos podemos falar. Temos liberdade.”

20
Mai
08

Clint e Angelina

A coletiva de imprensa de The Exchange poupou a atriz Angelina Jolie de mais perguntas sobre sua gravidez e os gêmeos. Afinal, ela estava ao lado de uma lenda viva do cinema, Clint Eastwood. Os dois mostraram bom humor.

“Fiquei muito nervosa no primeiro dia, porque era o Clint Eastwood. Ele é um grande líder, não apenas decisivo, mas dedicado e capaz de doar seu tempo a todos os que precisem. Todos se sentem valorizados”, disse a atriz. 

Ele disse que não pensa em fazer outro Dirty Harry, que passa aqui em Cannes na sessão na praia. “Isso foi há 37, 38 anos. Acho que, para ser realista, na minha idade eu não estaria na polícia”, disse, provocando risos. “Neste filme mesmo, não atuei porque acho que era muito jovem para fazer uma das crianças”, disse. “Mas é que estou tentando ficar mais atrás das câmeras mesmo.”

Clint fez cara de surpreso quando uma jornalista desejou feliz aniversário: “Ainda falta mais de uma semana, então me deixe em paz!”, brincou ele. 

O diretor também disse que não tem por que vir a Cannes fora da competição, apesar de sua posição. “Ganhar ou não não é a questão, mas, se você só aceita passar fora da competição, parece que está querendo ficar numa área segura, ou que se sente superior. E não é isso. É ótimo estar aqui com vocês e com o público”, disse o cineasta, que já concorreu à Palma de Ouro outras quatro vezes – e nunca venceu.

Angelina foi na mesma linha, ao responder como se sentia, já que normalmente os atores e diretores conhecidos não ganham aqui, porque, segundo a jornalista que formulou a pergunta, o festival prefere premiar filmes e artistas para torná-los conhecidos. “Se servir para dar um gás na carreira de alguém, ótimo, mas aqui somos apenas um diretor e uma atriz que estão muito felizes de estar aqui e muito orgulhosos de seu filme.”

20
Mai
08

The Exchange

A sessão para jornalistas de The Exchange, às 8h30, estava completamente lotada. Não tinha como ser diferente. Clint Eastwood é um dos diretores mais amados da atualidade, inclusive pelos jornalistas.

Desta vez, ele vai à Los Angeles de 1928 para contar a história real de Christine Collins, a mãe solteira de Walter, que trabalha na companhia telefônica para sustentar a criança. Um dia, ela deixa o garoto em casa, e ele desaparece. O que se segue é uma busca desesperada por notícias do menino. Pouco depois, a polícia traz até ela um garoto, dizendo que é Walter, mas ela sabe que não se trata de seu filho. Corrupta e incompetente, a polícia não quer admitir seu erro, e Christine sai em busca de provas de que aquele não é o seu filho.

Angelina Jolie faz um papel um pouco parecido com o de O Preço da Coragem, no qual interpretou Marianne Pearl, a mulher do jornalista Daniel Pearl, assassinado por terroristas no Paquistão. Por semanas, ela procurou o marido. Mas no filme de Clint Eastwood há uma questão que não havia para Marianne: o papel da mulher. Na década de 20, as mulheres não deveriam se comportar como ela, mesmo para recuperar o próprio filho.

Com a elegância de sempre, Eastwood mescla perfeitamente o drama e o suspense, emocionando com uma história que facilmente poderia virar um melodrama ou um filme de luta do pequeno contra o grande, como Erin Brockovich. Mas The Exchange é muito mais do que isso. O filme foi bastante aplaudido (logo que entraram os créditos e ao final deles), algo bem raro nas sessões de imprensa. Merecidamente.

20
Mai
08

Two Lovers

Este entrou na última hora. Não costuma ser bom sinal. O filme de James Gray não é ruim, longe disso, mas faz a gente pensar: o que este filme está fazendo na competição de Cannes?

Talvez tenha sido só para aumentar o glamour do tapete vermelho: na mesma hora, passava no Grand Théâtre Lumière, a sala principal do Palais du Festival, a atriz Gwyneth Paltrow, acompanhada pelo estilista Valentino. 

Joaquin Phoenix interpreta Leonard, um rapaz com certos problemas psicológicos, que já tentou se matar algumas vezes. Ele ainda sofre porque a noiva rompeu o relacionamento ao descobrir que ambos tinham propensão a uma doença genética grave, que poderia afetar a prole. Com uma ajudinha dos pais, ele conhece a compreensiva Sandra (Vinessa Shaw), que está disposta a um cuidar dele. Mas Leonard cai de amores pela vizinha, a instável Michelle (Gwyneth Paltrow), apaixonada por um homem casado.

É um pouco aquela história da ciranda de amores de que tratou Carlos Drummond de Andrade na poesia. Todos os personagens procuram o amor, mas nem sempre ele está onde se quer. E muitas vezes os personagens acham que só o seu amor basta, sem ser necessário que o outro sinta o mesmo.

O filme é elegante, com algumas belas cenas, mas realmente não se justifica sua seleção para a competição de Cannes. 

 




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