As sessões de imprensa costumam ser formais e sem grandes arroubos de aprovação, mas a sessão de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal foi bem diferente. Uma hora e meia antes da primeira exibição oficial do longa-metragem que retoma as aventuras do personagem, já havia filas e certos espertinhos querendo furá-la, na frente do Palais.
Antes de começar a sessão, houve aplausos e gente cantando a musiquinha da série. Os aplausos se repetiram nas primeiras cenas.
Ao filme: as primeiras cenas causam muita emoção por trazer o personagem de volta (seu rosto demora um tanto a aparecer, mas sabemos que é ele), mas também estranheza. A direção de arte é bem fake, e a fotografia muito clara dá um ar de fantasia, o que é esquisito porque a série sempre primou por tratar de forma realista as aventuras malucas do arqueólogo.
Indy está sendo perseguido pela KGB russa, na figura de Irina (Cate Blanchett, engraçadíssima) – a ação passa dos anos 30 dos outros filmes da série para os anos 50. Ela está atrás de um objeto misterioso, a tal caveira de cristal, que deve estar no Peru. Aparece no seu caminho o jovem Mutt (Shia LaBeouf), com topete à la James Dean ou Marlon Brando.
A primeira metade é um pouco lenta de ação, mas o filme engrena na metade final, recriando algumas cenas famosas: há insetos nojentos, o medo de cobras, a destruição por desmoronamento do lugar que guarda a relíquia – que ficaria na Amazônia. As cataratas do Iguaçu aparecem como se fossem em plena Amazônia.
Uma cena de perseguição no meio da floresta é das mais divertidas. Steven Spielberg optou por não usar efeitos especiais digitalizados e fazer tudo à moda antiga.
Harrison Ford aparenta os 65 anos que tem, mas não importa. O personagem é tão mítico que não faz a mínima diferença. É isso que vale neste Indy 4: a nostalgia que os três primeiros filmes tinham dos seriados dos anos 30 deu lugar à nostaliga da própria série. Ou seja: não importa, porque Indiana Jones já está no coração de todo o mundo, e isso não vai mudar com este filme. Todo o mundo vai sair gostando, porque estava morrendo de saudade do arqueólogo e de seu humor irônico.