Arquivo para Maio 19th, 2008

19
Mai
08

perdi

Cannes não tem um sistema de transporte muito bom. Depois da noite da sessão de gala de Linha de Passe, por exemplo, fui até a recepção do filme no hotel Martinez. Na volta, o caos: táxis inexistem, a chuva estava forte, a rua cheia de poças e eu com o pé machucado. Fiquei uma hora embaixo de chuva para conseguir um táxi.

Hoje, a mesma coisa: passa um ônibus aqui e outro lá. Resultado: cheguei somente cinco minutos antes da sessão de Le Silence de Lorna, filme dos irmãos Dardenne, vencedores duas vezes da Palma de Ouro.

Cannes tem aquele glamour da Riviera Francesa, mas, no fundo, acaba sendo uma cidade do interior.

19
Mai
08

Indiana Jones

As sessões de imprensa costumam ser formais e sem grandes arroubos de aprovação, mas a sessão de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal foi bem diferente. Uma hora e meia antes da primeira exibição oficial do longa-metragem que retoma as aventuras do personagem, já havia filas e certos espertinhos querendo furá-la, na frente do Palais.

Antes de começar a sessão, houve aplausos e gente cantando a musiquinha da série. Os aplausos se repetiram nas primeiras cenas.

Ao filme: as primeiras cenas causam muita emoção por trazer o personagem de volta (seu rosto demora um tanto a aparecer, mas sabemos que é ele), mas também estranheza. A direção de arte é bem fake, e a fotografia muito clara dá um ar de fantasia, o que é esquisito porque a série sempre primou por tratar de forma realista as aventuras malucas do arqueólogo.

Indy está sendo perseguido pela KGB russa, na figura de Irina (Cate Blanchett, engraçadíssima) – a ação passa dos anos 30 dos outros filmes da série para os anos 50. Ela está atrás de um objeto misterioso, a tal caveira de cristal, que deve estar no Peru. Aparece no seu caminho o jovem Mutt (Shia LaBeouf), com topete à la James Dean ou Marlon Brando.

A primeira metade é um pouco lenta de ação, mas o filme engrena na metade final, recriando algumas cenas famosas: há insetos nojentos, o medo de cobras, a destruição por desmoronamento do lugar que guarda a relíquia – que ficaria na Amazônia. As cataratas do Iguaçu aparecem como se fossem em plena Amazônia.

Uma cena de perseguição no meio da floresta é das mais divertidas. Steven Spielberg optou por não usar efeitos especiais digitalizados e fazer tudo à moda antiga.

Harrison Ford aparenta os 65 anos que tem, mas não importa. O personagem é tão mítico que não faz a mínima diferença. É isso que vale neste Indy 4: a nostalgia que os três primeiros filmes tinham dos seriados dos anos 30 deu lugar à nostaliga da própria série. Ou seja: não importa, porque Indiana Jones já está no coração de todo o mundo, e isso não vai mudar com este filme. Todo o mundo vai sair gostando, porque estava morrendo de saudade do arqueólogo e de seu humor irônico.




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