18
Mai
08

Vicky Cristina Barcelona

Desculpem o sumiço. Nunca antes na história, parafraseando nosso presidente, os jornalistas brasileiros em Cannes tiveram tanto trabalho. Por uma boa razão: a presença maciça de filmes, diretores e atores brasileiros no festival.

Foi um corre-corre, na loucura que é o fim de semana na cidade – a Croisette fica simplesmente intransitável, obrigando a manobras radicais para não ficar preso na multidão que fecha a rua para assistir aos inúmeros artistas dançando break ou para não atropelar velhinhos e bebês, além de não ser atropelado por lambretas envenenadas. Junte-se a isso a falta de ônibus e táxis na cidade, e várias bolhas nos pés, que têm me obrigado a fazer como as européias e andar de Havaianas, e pronto. Está aí a explicação.

Tanta loucura que não consegui simplesmente comentar o novo de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona. É um Woody Allen que se passa na cidade espanhola e engraçado como havia muito não se via. A Salle Debussy veio abaixo com as piadas do filme, sobre duas americanas (Scarlett Johansson e Rebecca Hall) que vão passar o verão em Barcelona. A primeira vive à procura de paixão, e a segunda, de uma vida certinha. O pintor Juan Antonio (Javier Bardem) desestabiliza as duas amigas. E ele traz junto uma carga, no caso, a ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz), uma doida de pedra. Os personagens são críveis, ainda que por vezes façam tremendas loucuras. “Habla inglés”, que Juan Antonio repete para Maria Elena, já virou bordão. Vicky Cristina Barcelona tem uma leveza que não se viu nos últimos longas do diretor.


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