Arquivo para Maio 18th, 2008

18
Mai
08

Sessão de gala de Linha de Passe

Nossa, quanta chuva. Se já é bem difícil encontrar um táxi em Cannes, com chuva, num sábado à noite, fica impossível. Preciso andar uns nove ou dez quarteirões até o Palais. Tive de descer tudo correndo, numa chuva bem forte, de sandália aberta, para pegar a sessão de gala de Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. O Grand Théâtre Lumiére demorou a ser aberto e ficamos nós embaixo de chuva, esperando para entrar. Estava absolutamente ensopada e só consegui chegar quando o filme já estava começando, assistindo de longe ao protocolo de o presidente do festival receber a equipe no alto da escadaria.

Foi muito boa a sessão, com aplausos por nove minutos e meio ao final. Os meninos que fazem os irmãos no filme foram muito aplaudidos, principalmente quando apareceram chorando de emoção. O cineasta Walter Salles, que fala inglês e francês fluentemente, agradeceu com um muito obrigado em português mesmo.

18
Mai
08

Mike Tyson

A lenda do boxe está em Cannes por causa do documentário de James Toback, basicamente uma grande entrevista com imagens de suas lutas.

Com uma tatuagem tribal no rosto e aquele mesmo olhar matador, o ex-boxeador foi seco nas respostas, mas mostrou certo humor. Um jornalista perguntou como ele está indo, depois de tantos problemas em sua vida. Ele respondeu: “Eu estou muito bem. E você, como está passando?”.

Ele contou que viu todos os filmes possíveis envolvendo boxe e que pretende encontrar Maradona, também tema de um documentário, dirigido por Emir Kusturica, a ser exibido na terça-feira 20 fora de competição, a quem considera seu amigo.

Tyson ainda disse que foi difícil ver-se tão exposto na tela. “Me senti vulnerável”, disse o fortão.

18
Mai
08

Woody Allen

Não dava para ser de outro jeito, mas Woody Allen realmente deu um show de humor na entrevista coletiva de Vicky Cristina Barcelona, no sábado. O diretor respondeu assim a uma pergunta sobre como faz para conseguir tão boas performances de seus atores: “É só contratar atores e atrizes maravilhosos”.

18
Mai
08

Linha de Passe

Linha de PasseFoi muito bem recebido o filme de Walter Salles e Daniela Thomas na competição do Festival de Cannes. Linha de Passe até arrancou aplausos na sessão de imprensa, no sábado pela manhã, algo que nem sempre é comum de se ouvir.

Os diretores contam a história da família chefiada pela empregada doméstica Cleuza (Sandra Corveloni), grávida do quinto bebê. Seus quatro outros filhos são jovens procurando um futuro na cidade de São Paulo. O motoboy Dênis (João Baldasserini) já tem um filho que pouco vê e é o mais propenso a cair no crime. Dinho (José Geraldo Rodrigues) encontrou na igreja evangélica um porto seguro para suas dúvidas. Dario (Vinicius de Oliveira, de Central do Brasil) está prestes a fazer 18 anos, mas não desiste de tentar a carreira de jogador de futebol. E o pequeno Reginaldo (Kaique de Jesus Santos) sai pelos ônibus da cidade à procura do pai desconhecido.

Linha de Passe dá conta de mostrar todas essas histórias, numa montagem paralela e brilhante, sem que elas percam força ou interesse. E exibe uma São Paulo que qualquer paulistano vai reconhecer como sua, apesar de ser uma cidade tão difícil de apreender. A desesperança se mistura com a esperança, num final em que nada fica definido. Como, infelizmente, costuma ser no Brasil.

18
Mai
08

Vicky Cristina Barcelona

Desculpem o sumiço. Nunca antes na história, parafraseando nosso presidente, os jornalistas brasileiros em Cannes tiveram tanto trabalho. Por uma boa razão: a presença maciça de filmes, diretores e atores brasileiros no festival.

Foi um corre-corre, na loucura que é o fim de semana na cidade – a Croisette fica simplesmente intransitável, obrigando a manobras radicais para não ficar preso na multidão que fecha a rua para assistir aos inúmeros artistas dançando break ou para não atropelar velhinhos e bebês, além de não ser atropelado por lambretas envenenadas. Junte-se a isso a falta de ônibus e táxis na cidade, e várias bolhas nos pés, que têm me obrigado a fazer como as européias e andar de Havaianas, e pronto. Está aí a explicação.

Tanta loucura que não consegui simplesmente comentar o novo de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona. É um Woody Allen que se passa na cidade espanhola e engraçado como havia muito não se via. A Salle Debussy veio abaixo com as piadas do filme, sobre duas americanas (Scarlett Johansson e Rebecca Hall) que vão passar o verão em Barcelona. A primeira vive à procura de paixão, e a segunda, de uma vida certinha. O pintor Juan Antonio (Javier Bardem) desestabiliza as duas amigas. E ele traz junto uma carga, no caso, a ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz), uma doida de pedra. Os personagens são críveis, ainda que por vezes façam tremendas loucuras. “Habla inglés”, que Juan Antonio repete para Maria Elena, já virou bordão. Vicky Cristina Barcelona tem uma leveza que não se viu nos últimos longas do diretor.




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