29
Mai
08

É o fim…

Agradeço a todos os que acompanharam o blog de Cannes. 

A premiação da brasileira Sandra Corveloni dá novo gás ao cinema brasileiro, depois do Urso de Ouro para Tropa de Elite em Berlim. Que venha Veneza!

 

25
Mai
08

Marisa Monte cancelada

Por causa da ventania que começou à tarde em Cannes, a exibição de O Mistério do Samba, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, com Marisa Monte conduzindo as entrevistas com a Velha Guarda da Portela, foi cancelada. 

O vento era tanto que levantou os vestidos e descabelou diversas mulheres que passaram pelo tapete vermelho.

25
Mai
08

Brasileira é premiada

A brasileira Sandra Corveloni foi eleita a melhor atriz do Festival de Cannes, por sua interpretação da mãe de quatro filhos, grávida do quinto, em Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. “O prêmio vai para uma atriz que estréia no cinema, num filme de experiência muito coletiva e inesquecível. É uma grande surpresa para nós”, disse Walter Salles na cerimônia de premiação. Daniela Thomas afirmou que Sandra ficaria muito feliz, “ainda mais pelo prêmio vir deste júri”. E emendou, em português: “Querida, você não esteve aqui, mas seu espírito esteve, e sua personalidade incrível, que nos trouxe nessa viagem de fazer este filme”. A atriz não veio a Cannes porque recentemente perdeu o bebê que esperava.

O porto-riquenho Benicio del Toro foi escolhido o melhor ator, por seu trabalho em Che, de Steven Soderbergh. “Quero dedicar esse prêmio ao homem, Che Guevara”, afirmou. Assim, foram dois prêmios de atuação para latino-americanos.

A entrada no Grand Théâtre Lumière dava idéia de que seriam muitos os prêmios, porque vários dos diretores estiveram presentes. De fato, houve os tradicionais prêmios de roteiro (para Jean-Pierre e Luc Dardenne, por Le Silence de Lorna), o prêmio do júri (para Il Divo, de Paolo Sorrentino), o Grande Prêmio (para Gomorra, de Matteo Garrone) e diretor (para Nuri Bilge Ceylan, por Les Trois Singes). Além desses, o júri resolveu dar prêmios especiais por seus novos trabalhos e por toda a obra, para Catherine Deneuve, que está no elenco de Conte de Noël, de Arnaud Desplechin, e Clint Eastwood, que mostrou aqui The Exchange.  

A Palma de Ouro acabou nas mãos de Laurent Cantet, por Entre Les Murs, exibido no último dia do festival. A última vez que um francês tinha levado a Palma de Ouro havia sido em 1987 (Sob o Sol de Satã, de Maurice Pialat). Cantet usa o professor e alunos de verdade de um colégio francês para falar de educação e diferenças culturais e religiosas. 

O presidente do júri, Sean Penn, declarou que a Palma de Ouro foi uma decisão unânime. “Nós começamos a analisar a arte do filme: mágica. Todas as atuações: mágicas. O roteiro: mágico. A provocação, a generosidade. Esse filme tinha simplesmente tudo o que você quer de um filme”, disse Penn na coletiva do júri. “É um dos raros filmes que são cinema de alta qualidade que você pode compartilhar com os jovens. Porque são eles que vão ter de encontrar a solução para esses problemas”, completou o mexicano Alfonso Cuarón. “Gostaria de mandar esse filme para o Ministério da Educação do meu país”, declarou o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul.

Entre les Murs foi o único filme a receber apenas críticas positivas e a gerar uma boataria consistente de Palma de Ouro, apesar de ter sido exibido na última hora, quando parte da imprensa já tinha ido embora.

Surpreenderam os dois prêmios para os dois italianos na competição. Il Divo, de Paolo Sorrentino, e Gomorra, de Matteo Garrone, são como duas faces da mesma moeda. O primeiro fala do primeiro-ministro Giulio Andreotti e suas relações escusas, inclusive com a máfia. O segundo trata dos meninos recrutados pela máfia. “Gostei do poder arrebatador e da autenticidade de Gomorra“, disse Sean Penn. “É um filme que vai durar”, completou. “E em Il Divo fiquei feliz de ver ferramentas de linguagem para um cinema dinâmico, mas consciente de como funciona o mundo e os governos, mas com humor e energia pop.”

Outros premiados:

Curta-metragem: Megatron, de Marian Crisan

Prêmio do Júri de Curta-Metragem: Jerrycan, de Julius Avery

Caméra d’Or: Hunger, de Steve McQueen

Menção Especial da Caméra d’Or: Vse Umrut a Ja Ostanus, Valeria Gaï Guermanika

 

 

25
Mai
08

Waltz with Bashir

Só consegui ver este filme hoje, na repescagem. Valeu muito a pena.

É uma espécie de documentário em forma de animação. O diretor israelense Ari Folman fez uma procura bastante pessoal sobre a guerra no Líbano nos anos 80. Ele entrevistou antigos companheiros, outros soldados e jornalistas, dando uma idéia do que passa na cabeça de um combatente numa guerra. Sua intenção era recuperar essas memórias, que havia perdido. É traumático o papel passivo dos seus soldados israelenses – inclusive o diretor – no massacre de mais de mil civis palestinos nos campos de Sabra e Shatila por soldados libaneses falangistas, apoiados por Israel (oficialmente, essa é a versão; há quem diga que o massacre foi comandado pelos israelenses).

Ainda assim, o filme não se exime de comparar aquilo que foi feito aos civis palestinos com o que foi feito com os judeus nos guetos e campos de concentração na Europa, na década de 40. Muitas falas e cenas remetem diretamente a essas memórias, como a criança com as mãos para o alto, saindo do gueto de Varsóvia, ou a família de frente para a parede, sendo fuzilada.

O diretor rodou as entrevistas em vídeo e depois fez a animação, usando técnicas digitais e tradicionais. 

O filme surgiu como um dos favoritos aqui em Cannes, algo que poderá ser confirmado logo mais. É impressionante, apesar de ficar em cima do muro ao tratar a questão da responsabilidade de Israel no massacre (segundo o diretor, porque interessava suas próprias memórias…) e de apelar aqui e ali para o sentimentalismo. 

Waltz with Bashir

 

25
Mai
08

Boatos

Rumores que estão rolando aqui em Cannes, menos de duas horas antes do anúncio oficial dos prêmios: Julianne Moore, atriz de Blindness, de Fernando Meirelles, teria sido chamada de volta à cidade – sinal de que receberia prêmio. Apesar das reações majoritariamente negativas ao filme, a verdade é que ela é a melhor performance feminina do festival, talvez junto com Martina Gusman, de Leonera, e Maria Onetto, de La Mujer sin Cabeza, ambas argentinas.  

Clint Eastwood também teria permanecido na cidade e, se for verdade, deve levar algum prêmio por The Exchange.

Logo mais, confirmo se os boatos eram ou não verdadeiros. 

25
Mai
08

Robert De Niro

Robert De Niro está em Cannes para a apresentação de What Just Happened?, de Barry Levinson, que encerra o Festival nesta noite.

Ele também entrega a Palma de Ouro logo mais.

O ator confirmou que tem um projeto com Martin Scorsese, com quem fez clássicos como Touro Indomável e Taxi Driver. “Faz algum tempo que estamos trabalhando nele, e agora está quase pronto. Estou muito ansioso para trabalharmos novamente juntos”, disse.

Robert De Niro

Ele se esquivou de dizer por que tem preferido as comédias ultimamente. “Eu gosto de coisas que são um mix, com drama e comédia juntos, como tantos excelentes filmes italianos fazem”, afirmou. “Neste filme, queríamos ser engraçados sem sermos maldosos”, contou ele, que interpreta um produtor de cinema. 

25
Mai
08

Prêmios de Un Certain Regard

A mostra paralela do Festival de Cannes anunciou seus premiados na noite de ontem. O presidente do júri, Fatih Akin (diretor de Contra a Parede), falou sobre sua experiência. “Foi minha primeira vez como presidente do júri e senti muita responsabilidade”, disse. Porque os filmes eram “muito bons”, ele contou que o júri pediu autorização para dar cinco prêmios, em vez de três. Nem Matheus Nachtergaele e seu A Festa da Menina Morta, nem Antonio Campos, filho de brasileiros, e seu Afterschool, foram premiados.

A cerimônia foi bem simpática, com o diretor artístico do festival, Thierry Fremaux, servindo de tradutor para o inglês de Akin. 

O primeiro prêmio foi o Esperança (os nomes são inventados pelos jurados), para Johnny Mad Dog, de Jean-Stéphane Sauvaire, sobre as crianças durante a guerra na Libéria. O prêmio Nocaute foi para Tyson, de James Toback. “Telefonei para Mike Tyson e ele achou que eu estava mentindo”, disse o diretor. O prêmio do Coração foi para Wolke 9, de Andreas Dresen. O prêmio do júri foi para Tokyo Sonata, de Kiyoshi Kurosawa. 

O prêmio Un Certain Regard, o mais importante, foi para Tulpan, de Sergey Dvortsevoy, do Cazaquistão. 

O longa-metragem foi exibido logo após o anúncio. E, para mim, foi o melhor filme dos que eu consegui ver aqui no festival. 

A história é simples: uma família de nômades composta pelo pai, pela mãe e por três crianças sofre com uma doença que mata todos os filhotes de seu rebanho de ovelhas e carneiros. Sem os filhotes, eles não podem se mudar para outra região. Enquanto isso, o irmão da matriarca, vindo da cidade, vive com eles, ao mesmo tempo em que procura uma noiva para poder se estabelecer como fazendeiro.

A luta, aqui, é pelas coisas mais básicas: água, comida, eletricidade. Coisas que até os mais pobres no Brasil costumam ter acesso. E, no entanto, o diretor conta tudo como uma grande aventura, sem colocar seus personagens como coitadinhos. E vários momentos são cômicos, como a relação dos filhos entre si – tem um pequenininho que, numa cidade ocidental, seria diagnosticado como hiperativo -, e uma mãe camelo que está perseguindo o veterinário que leva o filhote para ser tratado. São momentos quase surreais. Não devem ter sido fáceis as filmagens de um longa que tem um monte de animais (camelos, burros, ovelhas) e três crianças, no meio da estepe cazaque.

Este, Borat não deveria perder!

Tulpan

 

24
Mai
08

Brasileiro premiado

O curta brasileiro Muro, do pernambucano Tião (pseudônimo de Bruno Bezerra), ganhou o prêmio Un Regard Neuf, da mostra paralela Quinzena dos Realizadores. O prêmio é concedido ao curta-metragem mais ousado da seleção. A sinopse do curta é somente: Alma no vazio, deserto em expansão.

Antes de Muro, Tião tinha dividido a direção do curta Eisenstein com Leonardo Lacca e Raul Luna.

Muro

24
Mai
08

Expectativa

Faltam pouco mais de 24 horas para serem anunciados os premiados da competição do Festival de Cannes. E a dúvida permanece.

O comentário mais comum aqui é que não existe nenhum grande favorito, que a competição foi muito equilibrada. Se nenhum filme se destacou muito em relação aos demais, também é verdade que quase nenhum foi odiado por todos. Em consequência, a impressão é mesmo a de um festival morno.

Hoje pela manhã, Entre les Murs, de Laurent Cantet, foi exibido para a imprensa e imediatamente foi à lista de favoritos – isso se não se tornou “o” favorito. Ele é considerado uma escolha sem grandes polêmicas, caso o júri esteja muito dividido.

Entre seus concorrentes mais diretos estão Três Macacos, do turco Nuri Bilge Ceylan, The Exchange, de Clint Eastwood, Le Silence de Lorna, de Jean-Luc e Pierre Dardenne (vencedores de outras duas Palmas de Ouro), e Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. Muito se fala numa suposta propensão do júri de premiar filmes de acordo com seu engajamento político, e aí os favoritos são Waltz with Bashir, de Ari Folman, espécie de documentário em forma de animação sobre o conflito no Líbano, Che, de Steven Soderbergh, que pretendia, em 4 horas e meia, dar conta da ascensão e queda do revolucionário argentino, ou até o italiano Gomorra, sobre a máfia.  

O jornal Le Monde publicou hoje uma entrevista com o presidente do júri, Sean Penn. “A melhor forma de sermos honestos é tentar nos distanciar da pressão da moda e tentar encontrar algo que vai ficar para sempre”, afirmou. “Precisamos fazer o oposto do que a Academia que dá os Oscars faz, onde a manipulação e o marketing são premiados.”

Sean Penn é conhecido por seu engajamento político, mas não afirmou que isso seja determinante para a vitória de algum dos filmes. “Você ficaria surpreso ao saber que tipo de temas políticos são levantados por cada um dos membros do júri relacionados a filmes ou a elementos de filmes que na superfície não parecem contê-los”, disse. A verdade é que vários filmes que não parecem políticos contêm mesmo temas políticos, inclusive o brasileiro Linha de Passe.

O júri é composto pela atriz Natalie Portman, o ator e diretor italiano Sergio Castellitto, o diretor mexicano Alfonso Cuarón, o diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul, a atriz alemã Alexandra Maria Lara, os diretores franceses Rachid Bouchareb e Marjane Satrapi e a atriz francesa Jeanne Balibar.

24
Mai
08

Marisa Monte

Acabo de voltar de almoço de imprensa com a cantora Marisa Monte e os diretores Carolina Jabor e Lula Buarque de Holanda, que apresentam amanhã à noite o documentário O Mistério do Samba, no Cinéma de la Plage. O filme resgata os sambas dos compositores da Velha Guarda da Portela, um trabalho de pesquisa que a cantora vem fazendo há  anos. Lula e Carolina começaram a captar imagens há dez anos.

“Por causa disso, pudemos entrar no universo dessas pessoas, de forma natural, não com um olhar gringo. Fomos criando uma intimidade, por isso o filme é íntimo”, disse Carolina. Marisa explicou o início do projeto: “A minha relação com a Velha Guarda é antiga, em 1991 já gravei com as pastoras. Muitas de suas músicas estavam se perdendo. Sempre tive admiração pela música deles, pelo seu código de ética e elegância, que são coisas que me comovem”.

O filme é mais um brasileiro a ser exibido aqui em Cannes. “Um dos objetivos de nossa vinda a Cannes é conseguir a distribuição internacional do filme”, disse o produtor Leonardo Monteiro de Barros. “Dos 5 mil produzidos por ano no mundo inteiro, poucos conseguem sua première aqui. É o filtro mais seletivo do mundo.” Por causa da seleção por Cannes, vários outros festivais já estão convidando o filme.

Coletiva de O Mistério do Samba




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